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A verdadeira sabedoria é saber o quão pouco nós realmente sabemos.

Sócrates

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25/12/2010

Resumo do Livro - Consolando o Especialista de Paul Feyeraben


Ao debruçarmos sobre o livro Consolando o Especialista, observamos que Paul Feyerabend diz ter tido a felicidade de discutir com Thomas Kuhn por diversas vezes, quando este, era membro do departamento de filosofia da Universidade da Califórnia, segundo ainda Feyerabend estas discussões foram para ele muito valiosas, e com elas, ele passa a olhar a ciência de um novo modo. Neste momento Feyerabend discorda da teoria da ciência proposta por Kuhn.
Para Feyerabend as ideologias propostas por Kuhn viriam a inibir o progresso do conhecimento, e aumentar as tendências anti-humanitárias, que ele diz serem características das ciências pós-newtonia.
Nosso autor em questão diz que por várias vezes Kuhn o interrompera em seus discursos, alegando que Feyerabend o interpretara mal e, suas discussões permaneceram sem conclusão, agora já em outro momento Feyerabend sente-se fortalecido porque todos os leitores do Structure of scientific Revolutions de Thomas Kuhn tem a mesma interpretação que ele.
Neste trecho Feyerabend faz vários questionamentos sobre o método de trabalho que Kuhn apresenta, inclusive vê um problema, que ele, acredita ser um problema no inicio, trata-se dos escritos de Kuhn, que não levam a uma resposta direta, há ai uma ambigüidade, suas respostas são compatíveis e dão apoio às duas interpretações, ele considera esta ambigüidade um assunto a ser primado, (Tem tido um efeito definido sobre os leitores de Kuhn e fê-los olhar para o seu assunto e lidar com ele de maneira não de todo vantajosa. Mais de um cientista social me assinalou que agora, afinal, aprendeu a transformar seu campo em "ciência”), com isto ele quer dizer que aprendeu a aperfeiçoar seu campo, me parece que a formula seria esta: (restringir a crítica, reduzir a um o número de teorias compreensivas e criar uma ciência normal que tenha por paradigma essa teoria. Devem impedir-se os estudiosos de especular ao longo de linhas diferentes e os colegas mais irrequietos precisam ser induzidos a conformar-se e a “realizar trabalho sério”).
Feyerabend que a ambigüidade de Kuhn é pretendida e que ele ira explorar em plenitude suas potencialidades propagandísticas, ele deseja dar apoio sólido, objetivo e histórico a julgamentos de valor, considerados por ele arbitrários e subjetivos, por outro lado deseja deixar para si mesmo uma “válvula de escape”, uma segunda linha segura de retirada.
Aqui Feyerabend supõe que o objetivo de Kuhn seja apenas uma descrição de acontecimentos históricos e instituições influentes.
Interpretando assim, é a existência de uma tradição de soluções de enigmas que separa a ciência de outras áreas, ou de outras atividades, este apartar-se é de modo mais seguro, mais direto, menos equivoca e mais fundamental, que outras propriedades que as ciências possuem, mas se é tão essencial a existência de uma tradição de soluções de enigmas, a ocorrência dessa propriedade, unifica e caracteriza uma disciplina especifica e bem reconhecível. Todo enunciado feito por Kuhn a respeito da ciência normal parece verdadeiro, ele quer substituir “ciência normal” por “crime organizado”, e compara o “cientista” individual com o arrombador de cofres, utiliza isto apenas com uma comparação para poder chegar a expor seu pensamento sobre a ciência de Kuhn. Ele diz assim (de modo que é o indivíduo o arrombador de cofres e não a teoria vigente do eletromagnetismo, por exemplo: que está sendo posto à prova), assim sendo, só o profissional é censurado, não os seus instrumentos, a situação não melhora pelo fato de assinalarmos a existência de revoluções (primeiro, porque estamos lidando com a tese de que é a ciência normal que se caracteriza pela atividade de solução de enigmas. E, segundo, porque não há razão para acreditar que o crime organizado ficará para trás no domínio das principais dificuldades. Assim sendo, podemos entender isto como: é a pressão derivada do número sempre crescente de anomalias que leva, primeiro a uma crise, depois a uma revolução; e quanto maior a pressão, tanto mais cedo ocorrerá a crise).
Feyerabend diz que como interpretamos como Kuhn, e ele mesmo deseja ser interpretado assim, deixou de fazer uma coisa importante, deixou de discutir a finalidade da ciência e, ao final deste capitulo nos deixa mais uma pergunta. Qual é a finalidade do cientista?
Feyerabend procura considerar não só a estrutura real da ciência de Kuhn, mas também sua função. A atividade vulgar da ciência “madura” exerce efeitos não só sobre o conteúdo de nossas idéias, mas também sobre sua substancialidade, tal preocupação conduz ao ajustamento entre teoria e a realidade, e precipita o progresso, isto se da por varias razões. Em primeiro lugar o paradigma orienta o cientista, a tentativa de criar conhecimento necessita de orientação, não pode começar do nada, necessita de uma teoria, um ponto de vista que permita o pesquisador separar o relevante do irrelevante, e que lhe mostre as ares de maiores proveitos para a pesquisa.
Kuhn defende não só o uso de suposições teóricas, mas defende também a escolha exclusiva de um conjunto particular de idéias,( E defende tal modo de proceder porque este último desempenha um papel na ciência real tal como ele a vê. Eis aí a ambigüidade entre a descrição e a recomendação, de que já tratamos). A segunda razão seria a defesa por acreditar que sua adoção fatalmente conduzira a derrubada do mesmíssimo paradigma (então seremos forçados a procurar algo novo). Aqui resume bem tudo o que esta se esperando deste capitulo, somos forçados a fazê-lo por processos que estabeleceram íntimo contato com a natureza e, portanto, em última instância, pela própria natureza. Os debates da pré-ciência com sua crítica universal e sua proliferação desinibida de idéias são "freqüentemente dirigidos assim aos membros de outras escolas como... à natureza". A ciência matura, sobretudo nos períodos tranqüilos que antecedem imediatamente a tempestade, parece dirigir-se tão-somente à natureza e pode, portanto, esperar uma resposta definida e objetiva. A fim de obter essa resposta precisamos de mais do que de uma coleção de fatos reunidos a esmo.
Mas também precisamos de mais do que de uma discussão interminável de ideologias diferentes. O que precisamos é a aceitação de uma teoria e a tentativa inexorável de ajustar a natureza ao seu padrão. Creio ser esta a principal razão por que a rejeição, por uma ciência madura, da batalha desinibida entre alternativas seria defendida por Kuhn não só como fato histórico, mas também como movimento racional. Ao final ainda nos deixa a pergunta se é aceitável essa defesa.
A defesa é aceitável, contanto que as revoluções e que o modo particular que as ciências a conduzem, também seja desejável. As revoluções ocasionam uma mudança de paradigma, porém o relato de Kuhn diz ser impossível que essa mudança conduziria a algo melhor. É impossível dizê-lo, dado o fato de que os paradigmas tanto os pré-revolucionários como os pós-revolucionários, são incomensuráveis. E para Feyerabend é a primeira dificuldade do raciocínio funcional usado em conexão com o resto da filosofia de Kuhn.
Em segundo lugar ele quer examinar o que o Lakatos chamou de “estrutura fina” da transição: ciência normal/revolução, que podem revelar elementos não desejáveis, tais elementos levam-nos a considerar maneiras diferentes de provocar uma revolução. É fácil imaginar que assim sendo os cientistas abandonem um paradigma feito por frustração e não por terem argumento contra ele. Como procedem e como gostaríamos que os cientistas realmente procedessem? Um exame dessa pergunta leva a uma segunda dificuldade do raciocínio funcional.
Com a intenção de mostrá-la o mais claro possível, vamos considerar a principio os seguintes problemas metodológicos. É possível dar razões para proceder como Kuhn, tentando aferrar-se a uma teoria, apesar de refutadora de argumentos contrários lógicos e matemáticos? Imaginado que seja possível das tais razões, é possível abandonar a teoria sem deixar de violar as tais razões?
Feyerabend recorre ao conselho para aferrar-se a essa teoria. Há um problema em defender o principio da tenacidade. Este problema é racional porque as teorias são capazes de desenvolvimento, podem ser melhoradas e podem acordar as mesmíssimas dificuldades, em sua forma original, são incapazes de explicar.
Não sendo de muita prudência confiar em resultados ainda não confiáveis, cientistas diferentes estão sujeitos a cometer erros diferentes, é necessário que as teorias passem por muitos testes antes que sejam reduzidas a um denominador comum. A fim de manter o discurso racional o maior tempo possível, Kuhn ajunta que uma teoria fornece critérios de perfeição, de malogro, de racionalidade, e que deve ser sustentado o maior tempo possível, quase nunca acontece das teorias serem comparadas diretamente “aos fatos” ou “à evidencia”, o que conta ou o que não conta como evidencia relevante, depende da teoria, bem como de outros temas chamados de “ciências auxiliares”, as ciências auxiliares funcionam como ponto de partida a mais nas variações de teorias a serem testadas, porém por contaminar a linguagem de observação.
As primeiras suposições funcionam como premissas, ao passo que as últimas determinam quais são as impressões verídicas, o que nos possibilita não só avaliar as suposições, mas também formular novas observações. Adotando a tenacidade, não deveremos utilizar fatos recalcitrantes para remover uma teoria T, por maior clareza que os fatos nos tragam, assim sendo deveremos agir deste modo: (Mas podemos usar outras teorias, T’ T", T", etc., que acentuam as dificuldades de T se bem prometam, ao mesmo tempo, meios para a sua solução. Nesse caso, a eliminação de T é exigida pelo próprio princípio da tenacidade. T’ T", T", etc., que acentuam as dificuldades de T se bem prometam, ao mesmo tempo, meios para a sua solução. Nesse caso, a eliminação de T é exigida pelo próprio princípio da tenacidade.
Feyerabend não se satisfaz com o pensamento de Kuhn, acredita que a ciência normal leva o cientista a um “fechamento da mente”, deixando com isso de ser um realizador de novas descobertas, assim só o cientista é censurado, seus métodos não. Para ele cada ciência deve seguir o seu próprio paradigma e encarar seus problemas individualmente. Ele quer dizer aqui que os cientistas devem se utilizar de diversas teorias. Acredito que aqui é um ponto forte de seu anarquismo epistêmico.
Kuhn Havia afirma em primeiro lugar que as teorias não podem ser refutadas a não ser com a ajuda de alternativas, em segundo afiançou que a proliferação também representa um papel histórico na queda de paradigmas, e mostrou que as anomalias existem em qualquer ponto da historia de um paradigma.
Logo após a metade deste século, três paradigmas diferentes existiam, e entre eles havia uma incompatibilidade mutua Eram eles: 1- o ponto de vista mecânico 2- o ponto de vista ligado à invenção de uma teoria do calor independente e fenomenológica, que finalmente se revelou incompatível com a mecânica; 3- o ponto de vista implícito na eletrodinâmica de Faraday e Maxwell.
Estes paradigmas diferentes entre si, de dar classe independente, estavam muito longe, mas muito ao contrario, foi à ativa interação deles que veio acarretar a queda da física clássica. As dificuldades que conduziram à teoria especial da relatividade não poderiam ter nascido sem a tensão que existia entre a teoria de Maxwell, de um lado, e a mecânica de Newton, de outro o que o próprio Kuhn nos ensina, não foi essa atividade que originou o progresso, mas a atividade da minoria proliferado, vejamos o que o feyerabend nos diz sobre Thomas Kuhn (o que o próprio Kuhn nos ensina, não foi essa atividade que originou o progresso, mas a atividade da minoria proliferado), porém se a maioria dos cientistas continuar solucionando os velhos enigmas através das próprias revoluções, e se isto for verdade, estará desmoronando o que Kuhn diz separar temporalmente períodos de proliferação e períodos de monismo.
É essencial no desenvolvimento da ciência a interação entre a tenacidade e a proliferação que vimos a pouco, não é a atividade de solução de problemas a responsável pelo crescimento da ciência, mas a interação ativa de varias concepções que a tenacidade sustenta, também é motivo de derrubada de velhos paradigmas a invenção de novas idéias e a tentativa de assegurar-lhes um lugar digno na competição, durante o tempo todo ocorre à atividade inventiva, mas a atenção só é voltada para ela durante as revoluções, porém não é nada mais do que uma mudança de interesse e publicidade.
Assim que Feyerabend vê a imagem da ciência normal que surge nesta analise. Na atualidade há certa dificuldade em abordar com o espírito certo essas questões.
As ciências estão cercadas por uma aura de perfeição, que impede qualquer pergunta sobre o seu efeito benéfico. E assim (Usam-se com liberalidade frases como "busca da verdade" ou "o mais alto objetivo da humanidade". Elas enobrecem, sem dúvida, o seu objeto, mas também o afastam do terreno da discussão crítica), Feyerabend, diz que Kuhn conferiu dignidade a mais corriqueira da atividade científica, a chamada ciência normal. Seus questionamentos continuam até que faz surgir a grandes perguntas: (até que ponto aumentou a felicidade dos seres humanos e até que ponto aumentou a sua liberdade?), (que valores escolheremos para sondar as ciências de hoje?).
A felicidade, e o pleno desenvolvimento de um ser humano, ainda são do mais alto valor, mas aqui não se inclui os valores que fluem de formas institucionalizadas de vida, antes o encorajam, mas até o ponto em que contribuem para o avanço do individuo.
A ciência que tenta desenvolver nossas idéias, e utiliza meios racionais para eliminar até as conjecturas mais fundamentais, necessita de um principio de tenacidade (significa que não há necessidade de suprimir nem o mais estranho produto do cérebro humano. Todos podem seguir suas inclinações e a ciência, concebida como empreendimento crítico, aproveitará essa atividade).
Com o principio da proliferação (significa que se estimula a pessoa não só a seguir apenas suas inclinações, mas também a desenvolvê-las, a erguê-las, com a ajuda da crítica), quando há a interação entre a tenacidade a proliferação, isto ira importar em um novo nível de desenvolvimento biológico, pode ser que seja o único meio possível para evitar a estagnação de nossa espécie. A isto Feyerabend vai dizer: (Para mim, este é o argumento final e mais importante contra a "ciência madura" descrito por Kuhn. Tal empreendimento não é só mal concebido e inexistente; sua defesa é também incompatível com uma visão humanitária).
Agora Feyerabend nos apresenta a sua imagem de ciência, que para ele deve substituir o que Kuhn relata como ciência, ela é a síntese de duas descobertas, a descoberta de Popper que a ciência tem progresso pela discussão critica de visões alternativas, e segundo pela descoberta de Kuhn, pela função de tenacidade que ele havia expressado de modo errado. (A síntese consiste na afirmação de Lakatos, de que a proliferação e a tenacidade não pertencem a períodos sucessivos da história da ciência, mas estão sempre co-presentes).
Ele não se refere em descobertas, como idéias inteiramente novas, estas idéias, algumas delas são dos pré-socráticos, como a idéia de o conhecimento progride através de uma luta de visões alternativas, há também a idéia de que a luta de alternativas é decisiva para a ciência, esta defendida por Mach e Boltzmann. A necessidade de tenacidade foi enfatizada pelos materialistas dialéticos. E a síntese é a própria essencial do materialismo dialético.
Kuhn entende que, a ciência madura é uma seqüência de períodos normais e revoluções. Os períodos normais são monísticos, e as revoluções são pluralísticas até que emerge um novo paradigma que ganha apoio suficiente para que venha alicerçar um novo período normal. Feyerabend diz que: (Na seção n° 6 indicamos que a transição pode ser conseguida de um modo razoável: compara-se o paradigma central com as teorias alternativas). E Feyerabend diz ainda que Kuhn parece ser da mesma opinião, que a proliferação já se manifesta antes da revolução e ainda a protege, porém isto significa que o relato original é falso, a proliferação na verdade precede a revolução. A proliferação não só precede imediatamente a revolução, bem como se acha presente o tempo todo.
A transição da pré-ciência para a ciência não substitui a proliferação, nem a critica universal da pré-ciência pela tradição de solução de enigmas de uma ciência normal. A ciência madura une duas tradições, que estão quase sempre separadas, (a tradição da crítica filosófica pluralística e uma tradição mais prática que explora as possibilidades de um material dado sem ser impedida pelas dificuldades que podem surgir e sem dar atenção a maneiras alternativas de pensar). Para Popper a primeira tradição esta inteiramente ligada à cosmologia dos pré-socráticos, e a segunda é exemplificada pelos membros de uma sociedade fechada em relação ao mito básico.
Para Kuhn a ciência madura consiste na sucessão de dois modelos diferentes de pensamento e ação. Nisto Feyerabend considera uma descoberta genuína, mas para ele esta errada. Ele sugere o modelo de Lakatos, que a relação correta é uma relação de simultaneidade e interação, a isto ele propõe: (Falarei, portanto, do componente normal e do componente filosófico da ciência e do período normal e do período da revolução).
O ponto de vista de Kuhn se mostra fascinante, porém, ao mesmo tempo é insatisfatório, pois o que Feyerabend diz estar investigando, não é o tamanho de certo elemento da ciência, mas sua função. Também diz que não nos impressionemos com o fato de que a maioria dos cientistas consideraria o componente critico situado fora da ciência propriamente dita, e com isto mostra a falta de agudeza filosófica. O componente normal, grande, esta bem entrincheirado, e assim também é sua resistência à mudança.
Quanto à mudança do próprio componente normal, ele não seguira um modelo claramente reconhecível e lógico. Kuhn como outros filósofos da ciência, acredita que uma grande mudança deve exibir uma lógica própria, deve existir um elo entre o fato da mudança e o conteúdo da idéia que esta em mudança, as mudanças do componente filosófico, podem ser explicadas como o resultado de argumentos claros e sem duplos sentidos.
As revoluções devem ser entendidas como manifestações de uma mudança do componente normal, a ciência poderia ser mais produtiva se houvesse em seu caminhar pessoas mais razoada.
Feyerabend criticou o Kuhn e, de certo modo o Lakatos, e neste momento entra em defesa de Kuhn contra o Lakatos, ele vai sustentar que, a ciência, deveria ser mais irracional do que ele e o Lakatos estão preparados para admitir. A ciência tem aspectos distintos, e não pode separada em instantes do resto da historia da filosofia da ciência, os argumentos contrários clareiam características diferentes que nela existem.
No falseacionismo ingênuo, a teoria é julgada assim que é introduzida na discussão (Lakatos dá tempo à teoria, permite que ela se desenvolva, permite que ela mostre sua força oculta, e só a julga "depois de muito tempo"). Ele utiliza padrões críticos, que possibilitam um intervalo de hesitação, e são aplicados depois que ocorrem as transferências “progressivas” ou “degenerativas”.
Assim há uma facilidade de observar que os padrões desse gênero, quando combinados com um limite de tempo, só têm força prática, porém dando lhe um pouco de tempo, ira reaparecer o argumento contrario ao falseacionismo ingênuo sem importância. (Deste modo, os padrões que Lakatos deseja defender ou são vãos, ou podem ser criticados por motivos muito semelhantes ao que conduziram a eles em primeiro lugar). Agora uma de duas coisas pode ser feita. Esquecer os padrões permanentes, ou a segunda opção, que parece ser da preferência de Lakatos, que é reter tais padrões como ornamento verbal, colocando-o em igualdade com Popper.
O próprio Popper enfatiza: (os padrões não são sempre adotados na base do argumento. As crianças, diz ele, "aprendem a imitar os outros”. Considerações semelhantes aplicam-se aos adultos que desejam continuar aprendendo que estão decididos a expandir seus conhecimentos e sua sensibilidade). Isto poderá fazer com que multipliquem os padrões de reações, incluindo os padrões de argumentação, pode ser um processo inteiramente natural, como aumentar de tamanho. A única função do discurso racional talvez consista em aumentar a tensão mental que precede e causa a explosão comportamental.
Depois de uma analise de possíveis fontes de padrão, Popper indaga sobre o que devemos aceitar, assim, ele chega à conclusão de que, (devemos confiar apenas provisoriamente no que quer que aceitemos, recordando sempre que estamos de posse, na melhor das hipóteses, da verdade (ou correção) parcial, e fadados a incorrer pelo menos em algum erro ou julgamento incorreto em algum lugar, não só com respeito a fatos, mas também com respeito aos padrões adotados; em segundo lugar, só devemos confiar (ainda que provisoriamente) em nossa intuição se tivermos chegado a ela em conseqüência de muitas tentativas para usar a imaginação, de muitos erros, de muitos testes, de muitas dúvidas e da crítica investigadora”). A nós cabe a tarefa de preenchê-la, com a troca de argumentos, ora com um, ora com outro.
Popper e Lakatos rejeitam a "psicologia das multidões", afirmam o caráter racional de toda ciência. Segundo Popper, há a possibilidade de chegar a um julgamento sobre qual das duas teorias se aproxima mais da verdade. De acordo com Lakatos, as características aparentemente fora da razão da ciência, só ocorrem no mundo material e no mundo do pensamento, não se fazem presente no “terceiro mundo” de Platão e de Popper. É nesse “terceiro mundo”, que se verifica o crescimento do saber e que se torna possível um julgamento racional de todos os aspectos da ciência.
O cientista, infelizmente, também lida com o mundo da matéria e do pensamento, e as regras que criam ordem no terceiro mundo, podem ser totalmente inadequadas à criação da ordem nos cérebros dos seres humanos vivos. Os numerosos desvios do caminho reto da racionalidade, que observamos na ciência atual, bem podem ser necessários se quisermos alcançar o progresso com o material quebradiço e indigno de confiança (instrumentos, cérebro, etc.) que temos a nossa disposição. Não há necessidade de argumentar que a verdadeira ciência pode diferir da sua imagem do terceiro mundo precisamente nos sentidos que possibilitam o progresso. Pois o modelo do Popper, de um enfoque da verdade, ruirá, até nos limitarmos exclusivamente a idéias. Ruirá devido às teorias incomensuráveis.
As teorias podem ser interpretadas de maneiras diferentes. Elas serão comensuráveis em algumas interpretações, incomparáveis em outras. Não se limita a convidar-nos a repensar o comprimento, a massa e a duração inobservados; ela parece encerrar o caráter relacionai de todos os comprimentos, massas e durações, observados ou inobservados, observáveis ou inobserváveis. (Elas expressam idéias metodológicas que precisamos criticar se quisermos aumentar nossa liberdade vis-à-vis das ciências).
Se um realista desejar apresentar um relato unificado de questões observáveis e inobserváveis, e empregará os termos mais abstratos de qualquer teoria que esteja considerando para esse fim. Empregará esses termos a fim de dar significado a sentenças de observação, ou a fim de substituir-lhes a interpretação costumeira. Contra isso se assinala que os termos teóricos recebem sua interpretação por estar ligados a uma linguagem observacional preexistente ou a outra teoria que já esteve ligada a uma linguagem de observação dessa natureza e que, sem essa conexão, eles são destituídos de conteúdo. (O sistema T [que consiste nos axiomas da teoria e nas regras de derivação é por si mesmo um sistema postulado não-interpretado. [Seus] termos obtêm apenas uma interpretação indireta e incompleta pelo fato de estarem alguns ligados pelas [regras de correspondência] C a termos observacionais"). Então, se os termos teóricos não possuem "interpretação independente", não podem ser usados para corrigir a interpretação dos enunciados de observação, que é a sua única fonte de significado. Sendo assim, se entende que o realismo, é uma doutrina impossível.
Quando surge a suspeita de que as observações interpretadas em função de uma nova teoria já não podem ser utilizadas para refutar a mencionada teoria. (Essa suspeita é abrandada assinalando-se que as predições de uma teoria dependem de seus postulados, das regras gramaticais associadas bem como das condições iniciais).
Sabe-se também que, admitido o ingresso da incomensurabilidade na ciência já não podemos decidir se uma nova concepção explica o que se presume que explique, ou se vagueia por campos diferentes. Pois assim que se admite o fato da incomensurabilidade, não se formula a pergunta que fundamenta a objeção. Supõe-se que a relatividade explica as partes válidas da física clássica e, portanto, não pode ser incomensurável com ela que ela nos forneça um relato correto do mundo.
Teorias incomensuráveis, por conseguinte, podem ser refutadas por referência as suas próprias espécies respectivas. O conteúdo delas não pode ser comparado. Nem é possível fazer um julgamento de verossimilhança a não ser dentro dos confins de uma teoria particular. Não se pode aplicar nenhum dos métodos que Popper deseja utilizar para racionalizar a ciência, o que se pode aplicar a refutação, é grandemente reduzido em sua força. O que sobra, são julgamentos estéticos, julgamentos de gosto, e nossos próprios desejos subjetivos.

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