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A verdadeira sabedoria, é saber o quão pouco nós realmente sabemos.

Sócrates

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Dicionário

Abbagnano, Nicola (1901-1990) - Filósofo italiano. Influenciada pelo pensamento de Kant, suas obras, "O existencialismo positivo (1948)" e "História da filosofia (1949-1953)", tem por tema principal o significado da existência.

Abelardo - Teólogo e filósofo defendeu o exame crítico das Escrituras à luz da razão por acreditar na capacidade da mente humana de alcançar o verdadeiro conhecimento natural. Estudou em Paris e foi professor da catedral de Paris (Notre Dame), a clareza do seu espírito atraiu uma multidão de discípulos. É conhecido, popularmente por sua ligação amorosa com Heloísa, sobrinha do cônego Fulbert, tornando-se famosa a correspondência que trocaram, pois refletem o temperamento a um só tempo espiritual de Abelardo. Seu livro mais famoso, Sic et non (Sim e não) foi escrito em 1121-1122. Nele apresenta argumentos contra e a favor de quase todas as grandes teses filosóficas da época, método que santo Tomás de Aquino retomaria na Suma teológica. Abelardo chama esse jogo lógico de "dialética" e o acha importante para aguçar o espírito. Sua filosofia é em grande parte uma análise da linguagem, que se torna notável ao estudar o problema dos "universais".

Absoluto - Com uma abordagem idealista ou materialista, a noção de absoluto é tentada pelas mais diversas correntes do pensamento filosófico, desde os pré-socráticos, com seu princípio monista, até Schopenhauer, com o conceito de vontade cega, passando pela idéia de substância, formulada por Spinoza, e pelo materialismo dialético, próprio da filosofia marxista. Assim o conceito de absoluto e sua relação com a realidade sensível é um dos problemas fundamentais na história da filosofia. Segundo Aristóteles, do ponto de vista metafísico, o absoluto é, "o que existe e subsiste em si e por si", ou seja, o motor imóvel, causa de todas as causas, que, como fundamento último da realidade, não é afetado por suas leis. O absoluto, assim concebido como pura transcendência, não pode ser definido positivamente. Pode-se dizer que o absoluto não tem causas, pois se as tivesse dependeria de outra coisa; não tem forma, pois seria determinado por ela; e que nada existe fora dele, pois nesse caso não seria absoluto. Essa concepção de absoluto se encontra nos fundamentos do pensamento medieval e, mais especificamente, na teologia negativa, que identifica o absoluto com Deus, de quem só se pode saber o que não é e não o que é. Nicolau de Cusa afirma que "o conhecimento da verdade absoluta transcende nosso entendimento finito" e que "Deus se entende incompreensivelmente". A concepção de absoluto como entidade substantiva diferente de Deus aparece no idealismo alemão, como o fundamento último da razão e esta, da realidade. Kant afirma que o fundamento último da razão tem que ser absolutamente incondicionado. Fichte leva a idéia de absoluto ao extremo subjetivismo, identificando-o com o eu universal. Friedrich Schelling entende o absoluto como fundamento universal da realidade, que contém em si mesmo seu princípio espiritual. A unidade entre sujeito e objeto proposta por Schelling é à base da crítica hegeliana a sua concepção de absoluto e para tentar resolver o problema das concepções metafísicas sobre o absoluto em sua relação com o intelecto, concebe a razão humana como uma espécie de outra razão superior, a do espírito absoluto, que se realiza a si mesmo no tempo, mediante um processo dialético, de natureza lógica, que é também histórico. É o próprio espírito absoluto que pensa a si mesmo e faz culminar o processo com a consciência absoluta de si mesmo. Na filosofia moderna, a noção de absoluto confunde-se com a de totalidade e de fundamento do real, seja ela concebida de um ponto de vista idealista ou materialista. A reflexão sobre o absoluto tem constituído a tarefa básica de todas as filosofias, seja para tomá-lo como postulado ou, como acontece na analítica contemporânea, para afirmar a impossibilidade de emitir juízo algum sobre ele.

Abstração - É uma operação intelectual pela qual o espírito separa mentalmente coisas, de fato inseparáveis. Uma das muitas atividades da mente, por meio da qual se faz com que determinadas idéias representem todos os objetos da mesma espécie.

Abstrato - Diz-se de toda noção que resulta de uma abstração como, por exemplo: Se um termo se refere a algo abstrato daquilo que é referido é porque não tem existência espaço-temporal, isto é, o contrário de concreto, qual Berkeley considera, não existe num lugar qualquer nem num determinado momento, sendo o que está intimamente ligado diretamente ao conceito. Na Filosofia Clínica o termo abstrato tem dimensões além daquelas tratadas nas idéias particulares, em Locke universalizadas. Segundo, o filósofo, Lúcio Packter, o termo abstrato é o que está indiretamente relacionado aos sentidos, e diretamente ligado a conceitos, como, por exemplo, entendemos que um aroma é diferente de outro por suas naturezas distintas.

Absurdo - No passado mais remoto, a noção do absurdo esteve latente nas filosofias irracionalistas ou nas que se recusavam a encontrar uma explicação racional para a existência. Paralelamente a essas filosofias, tal noção encontrava-se também subjacente em muitas expressões artísticas, sobretudo nas manifestações do fantástico, da literatura dos sonhos, do humor como conceitos afins ao de absurdo no sentido moderno, mas distintos porque o absurdo teria sempre um sentido, embora inexplicável e recôndito; o fantástico se situaria numa fronteira indefinida entre a realidade e a irrealidade, ou seria um modo peculiar de ver a existência, por meio de fantasias individuais, enquanto o sentimento do absurdo estaria ligado ao real em si mesmo, independentemente das projeções subjetivas. Já o humor negro se caracterizaria como expressão essencialmente gratuita, não comprometida com a busca de significações para o real. A noção do absurdo da existência é convertida em núcleo básico de importantes expressões filosóficas e artísticas do século XX como Søren Kierkegaard, Miguel de Unamuno e outros. A afinidade com o absurdo se evidencia em autores do século XX que utilizaram o fantástico como elemento de uma nova indagação sobre a existência. Mesmo o humor negro, caracteriza-se pela gratuidade em autores de um passado recente (os surrealistas, por exemplo), revelou-se carregado de novas conotações nas obras de Kafka ou Beckett. Os existencialistas rejeitaram as hipóteses metafísicas e teológicas para a explicação da existência. Em seu lugar, introduziram a noção do fracasso ontológico do homem, cuja vida seria uma "paixão inútil" (Sartre) e procuram uma saída para o dilema da condição humana, propondo a escolha lúcida do próprio destino (Sartre) ou a revolta (Camus). Esta saída foi negada pelos representantes do teatro do absurdo (Samuel Beckett, Eugène Ionesco), que não admitem sequer a possibilidade de explicação para o real, proclamando a impotência dos atos humanos. Neles, ao contrário dos existencialistas, de expressão quase sempre realista, o absurdo emerge funcionalmente na própria representação cênica, com a mímica grotesca, o humor negro e as expressões parabólicas. O grande marco do absurdo moderno são os romances e contos de Kafka quando não apontam saídas e a ação dos personagens parece desprovida de significação estando condicionada a potências imprevisíveis e invisíveis. Seus personagens ignoram os crimes de que são acusados e suas tentativas de defesa revelam-se grotescas e destinadas ao fracasso. A tese do absurdo existencial foi explicitada por Albert Camus "O mito de Sísifo, ensaio sobre o absurdo" (1942), onde o personagem mitológico Sísifo, rolando montanha acima uma pedra que sempre volta a cair, encarna a inutilidade do esforço humano. Ao lado da expressão filosófica, a obra ficcional e dramática de Jean-Paul Sartre e Camus revelaria também, por meio de situações típicas, a problematização do absurdo. As mais características, nesse sentido, seriam "O muro" (1939), contos de Sartre em que os personagens decidem sobre seus destinos contra as leis da razão social; e Calígula (1944) e a Peste (1947), drama e romance de Camus em que os personagens se rebelam contra a própria condição humana, reduzida a sua impotência individual ou coletiva.

Academia - Escola filosófica fundada por Platão em 387 a.C., nos jardins consagrados ao herói ateniense Academos. Fechada no ano 529 por ordem do imperador romano Justiniano.

Acidente - Designação genérica de diversas circunstâncias ou qualidades que podem determinar uma substância, sem constituir, contudo um de seus elementos essenciais.

Adorno, Theodor - Filósofo e crítico musical, foi uma das figuras que mais contribuíram para denunciar a mercantilização que atinge a arte contemporânea. Foi professor na Escola de Frankfurt, constituiu o núcleo de uma linha original de pensamento filosófico-político desenvolvido por Walter Benjamim, Max Horkheimer, Herbert Marcuse, Wilhelm Reich, Jürgen Habermas e Adorno. A teoria crítica proposta por esses pensadores se opõe à teoria tradicional, que se pretende neutra quanto às relações sociais. Ela toma a própria sociedade como objeto e rejeita a idéia de produção cultural independente da ordem social em vigor. Adorno regressou à Alemanha em 1949, retomou a atividade docente e participou intensamente da vida política e cultural do país. Antes de sua morte em Visp, Suíça, em 6 de agosto de 1969, teve destacada e polêmica participação nos movimentos estudantis que sacudiram a Europa a partir de maio de 1968. Fundamentado na dialética de Hegel, Adorno imprimiu um conteúdo sociológico a seus escritos filosóficos e musicais. O jazz, a música, o teatro engajado e a literatura realista foram alguns dos objetos de reflexão escolhidos por Adorno para denunciar a mercantilização que atinge a arte contemporânea. O conceito de "indústria cultural" foi criado por Adorno para designar a exploração sistemática e programada dos bens culturais com finalidade de lucro. A obra de arte produzida e consumida segundo os critérios da sociedade capitalista se rebaixa ao nível de mercadoria e perde sua potencialidade de crítica e contestação. Produziu algumas das obras capitais do pensamento estético, como a "Dialética do esclarecimento" (1947), em colaboração com Horkheimer, a "Filosofia da nova música" (1949) e a inacabada "Teoria estética" (1970), na qual trabalhou até a morte.

Agnosticismo - Agnosticismo é aquilo que limita o conhecimento ao âmbito puramente racional e científico, negando esse caráter à especulação metafísica. Filosóficamente é interpretado, em sentido estrito, como um posicionamento diante das questões religiosas que sustenta ser impossível demonstrar tanto a existência quanto a inexistência de Deus. Os pensadores dogmáticos que postulam um caminho místico ou irracional de abordagem do absoluto, mantem a mesma posição do sentido estrito, mas negam que se possa chegar a conhecer alguma coisa a respeito do modo de ser divino. Em essência, ele emanaria de uma fonte racionalista, ou seja, de uma atitude intelectual que considera a razão como o único meio de conhecimento suficiente e o único aplicável, pois só o conhecimento proporcionado pela razão satisfaria as exigências de uma ciência rigorosa. Não nega, nem afirma a possível existência de seres espirituais, transcendentes ou não visíveis, e sim deixa em suspenso o juízo, abstém-se de pronunciar-se sobre sua existência e realidade, atuando de acordo com essa atitude. Nessa ordem de coisas, ainda que admita a possível existência de um ser supremo, ordenador do universo, sustenta que, científica e racionalmente, o homem não pode conhecer nada sobre a existência e a essência de tal ser, pois o agnosticismo circunscreve o conhecimento humano aos fenômenos materiais, e rejeita qualquer tipo de saber que se ocupe de seres espirituais, transcendentes ou não visíveis. Thomas H. Huxley criou o termo "agnosticismo" para ser uma antítese ao "gnóstico" da história da igreja. Uma atitude filosófica que nega a possibilidade de dar solução às questões que não podem ser tratadas de uma perspectiva científica, especialmente as de índole metafísica e religiosa. Essa definição de Huxley possibilitou diferentes concepções do agnosticismo ao longo da história. No âmbito filosófico, o empirismo, de David Hume, negou a possibilidade de se estabelecer leis universais válidas a partir dos conteúdos da experiência. O idealismo transcendental, de Kant, afirmou que o intelecto não pode conhecer a coisa-em-si, isto é, a essência real da coisa. O positivismo lógico, do século passado, estabelece que as proposições metafísicas não têm significado e, por isso, não é possível demonstrá-las. No âmbito religioso, o agnosticismo não nega nem afirma a existência de Deus, mas considera que não se pode chegar a uma demonstração racional dela; essa seria, em essência, a tese de Hume e de Kant, muito embora este considerasse possível demonstrar a existência de Deus como fundamento da moralidade.

Autopoiesis - É a estrutura de um sistema vivo. Refere-se à capacidade em transformar e integrar componentes e processos desencadeados por perturbações internas ou externas. Encontra-se subordinada à organização, mas esta, por seu lado, só pode auto-manter-se devido aos elementos complexificadores aportados pela estrutura. Segundo Maturana é a crença de que somos animais racionais que nos leva a enaltecer a racionalidade em detrimento das emoções e, esse processo faz que nossa noção de realidade seja independente do que realizamos no mundo. Em resumo é a teoria biológica, dos chilenos Humberto Maturana e Francisco Varela de bastante repercussão na epistemologia e nas áreas do saber humano, qual fundamenta que a invariante que se mantém nos processos de adaptação ontogenéticos, e que nos permite identificar um organismo como uma unidade é a autopoiesis desse ser vivo. Auto enquanto referenciado a si próprio; poiesis, de produção (poiein).

Axiologia - É a abordagem filosófica Teoria do valor em sentido amplo. Sua importância reside principalmente no novo e mais extenso significado que atribuiu ao termo valor e na unidade que trouxe ao estudo de questões econômicas, éticas, estéticas e lógicas que eram tradicionalmente consideradas em separado.

Categoria - Categoria é a classe de atributos que dizem respeito a um sujeito determinado. As categorias são gêneros, pelos quais se distribuem todos os seres ou realidades do mundo criado. Observadas de outro ângulo, as categorias são os diferentes pontos de vista a partir dos quais os seres se oferecem à investigação, e assim determinam os caminhos por meio dos quais é possível conhecê-los. As categorias significam, portanto, as diferentes maneiras de expressão do ser, ou as diferentes maneiras de ser.

Conceito - É um idéia ou verbo mental que se expressa daquilo que se aprende do objeto e se dá quando ao conceber o pensamento nos referimos intelectualmente através de um sinal imaterial. Os empiristas pensam os conceitos como o resultado de um processo de abstração a partir da experiência.

Conhecimento - O conhecimento humano é a verdade acessível ao homem, e esta verdade é relativa, finita e limitada. Existe uma realidade absoluta, mas acesso direto a esta realidade ou percepção direta dela é impossível. O conhecimento da realidade é relativo e limitado ao conhecimento dos vários efeitos produzidos por esta realidade absoluta. É um termo que designa, em filosofia, o processo pelo qual o sujeito apreende um objeto. O conhecimento sensível nos é dado por meio dos sentidos já o inteligível depende do uso da razão e tem como objeto tipos gerais, e não individuais e concretos.
Cosmo  Arte (gr. kosmos) 1. Palavra grega que significa "ordem", "universo", "beleza" e "harmonia" e que designa, em sua origem. o céu estrelado enquanto podernos nele detectar certa ordem: as constelações astrais e a esfera das estrelas fixas. Por extensão, designa, na lingua-gem filosófica, o mundo enquanto é ordenado e se opõe aos caos.
2. Na tísica aristotélica, domina o modelo de um cosmo finito, bem ordenado. Tanto a concepção aristotélica quanto a escolástica do mundo valorizam o mundo "supralunar" cujos objetos incorruptíveis (planetas, Sol e estrelas fixas) são organizados numa ordem eterna e per-feita, por oposição ao nosso mundo "sublunar" desordenado, submetido à corrupção e ao "fluxo do devir". Os movimentos dos objetos do mundo supralunar são uniformes, circulares (o círculo é a figura perfeita) e eternos. Mas os objetos do mundo sublunar traduzem uma "intenção de ordem", pois uma pedra lançada no ar, por um movimento "violento", busca seu lugar "natural".
3. Com a revolução científica e mecanicista do séc.XVII, j á anunciada por Copérnico, altera-se totalmente a imagem aristotélico-ptolomaica de um mundo fechado, eterno e finito, que é substituída pela concepção de uma causalidade cega num espaço geometrizado. Doravante, não é mais a Terra, mas o Sol, que se encontra no centro do mundo.

Cosmogonia (gr. kosmogonia: criação do mundo) Teoria sobre a origem do *universo, geralmente fundada em lendas ou em *mitos e ligada a uma metafísica. Em sua origem, designa toda explicação da formação do universo e dos objetos celestes. Atualmente, designa as explicações de caráter mítico. Ex.: as cosmogonias pré-socráticas de Tales de Mileto, Anaximandro, Empédocles etc.

Cosmología (do gr. kosmos: mundo, e logos, ciência, teoria) Conjunto das teorias científicas que tratam das leis ou das propriedades da matéria em geral ou do universo. Toda cosmo-logia supõe a possibilidade de um conhecimento do mundo como sistema e de sua expressão num discurso. Por isso, a imagem do sistema do mundo é determinante para toda filosofia que se pretende sistemática. O postulado de uma totalização do mundo, pelo saber, revela-se indispensável a uma eventual totalização do próprio saber. A cosmologia aristotélica era uma filoso-fia que constituía um sistema do mundo e se estruturava em um sistema, apresentando uma imagem do mundo totalmente fechada, finita, centrada e hierarquizada. A cosmologia copernicana, em contrapartida, substituiu essa ima-gem pela imagem de um universo finito, sem ordem e descentrado. (Ver cosmo.) A filosofia transcendental de Kant, ao se comparar com a revolução copernicana, estabelece que a cosmo-logia não constitui mais um problema para a filosofia. Doravante, ela se dá por tarefa elaborar urna teoria do conhecimento, de suas condições de possibilidade, pois numa concepção infinitista do mundo não há mais lugar para a noção de cosmo, vinculada à noção de totalidade. A natureza (phvsis) é homogênea, sem regiões do ser separadas, sem relações estruturadas por um centro nem tampouco pela oposição do alto e do baixo, do céu e da Terra. Enquanto indica a priori os lugares naturais das coisas e as direções do movimento, a cosmologia constitui um obstáculo à instauração da física como ciência experimental.
Observemos que toda cosmologia supõe a possibilidade de um conhecimento do mundo como sistema e de sua expressão num discurso sistemático. O postulado de urna totalização do mundo pelo saber é indispensável para que se opere a totalização do próprio saber. Por isso, o fato de una filosofia constituir-se num sistema do mundo torna-se evidente quando possuímos uma
imagem do mundo que é a de uma totalidade fechada, finita e hierarquizada. O mesmo não ocorre quando possuímos urna imagem do universo infinita, sem ordem e descentrada, corno a copernicano-galileana.

Dialética  Arte de argumentar ou discutir./Maneira de filosofar que procura a verdade por meio de oposição e conciliação de contradições (lógicas ou históricas).
(lat. dialectica, do gr. dialektike: discussão) Em nossos dias, utiliza-se bastante o termo "dialética" para se dar uma aparência de racionalidade aos modos de explicação e demonstração confusos e aproximativos. Mas a tradição filosófica lhe dá significados bem precisos.
1. Em Platão, a dialética é o processo pelo qual a alma se eleva, por degraus, das aparências sensíveis às realidades inteligíveis ou idéias. Ele emprega o verbo dialeghestai em seu sentido etimológico de "dialogar", isto é. de fazer passar o logos na troca entre dois interlocutores. A dialética é um instrumento de busca da verdade. uma pedagogia científica do diálogo graças ao qual o aprendiz de filósofo, tendo conseguido dominar suas pulsões corporais e vencer a crença nos dados do mundo sensível, utiliza sistematicamente o discurso para chegar à percepção das essências, isto é, à ordem da verdade.
2. Em Aristóteles, a dialética é a dedução feita a partir de premissas apenas prováveis. Ele opõe ao silogismo científico, fundado em pre-missas consideradas verdadeiras e concluindo necessariamente pela "força da forma", o silo-gismo dialético que possui a mesma estrutura de necessidade, mas tendo apenas premissas prováveis, concluindo apenas de modo provável.
3. Em Hegel. a dialética é o movimento racional que nos permite superar uma contradição. Não é um método, mas um movimento conjunto do pensamento e do real: "Chamamos de dialética o movimento racional superior em favor do qual esses termos na aparência separa-dos (o ser e o nada) passam espontaneamente uns nos outros. em virtude mesmo daquilo que eles são, encontrando-se eliminada a hipótese de sua separação". Para pensarmos a história, diz Hegel, importa-nos concebê-la como sucessão de momentos, cada um deles formando uma totalidade, momento que só se apresenta opondo-se ao momento que o precedeu: ele o nega manifestando suas insuficiências e seu caráter parcial; e o supera na medida em que eleva a um estágio superior, para resolvê-los_ os problemas não-resolvidos. E na medida em que afirma urna propriedade comum do pensamento e das coisas, a dialética pretende ser a chave do saber absoluto: do movimento do pensamento. poderemos deduzir o movimento do mundo: logo, o pensa-mento humano pode conhecer a totalidade do mundo (caráter metafísico da dialética).
4. Marx faz da dialética um método. Insiste na necessidade de considerarmos a realidade socioeconómica de determinada época como um todo articulado, atravessado por contradições específicas, entre as quais a da luta de classes. A partir dele, mas graças sobretudo à contribuição de Engels, a dialética se converte no método do materialismo e no processo do movimento histórico que considera a Natureza: a) como um todo coerente em que os fenômenos se condicionam reciprocamente; b) como um estado de mudança e de movimento: c) como o lugar onde o processo de crescimento das mudanças quantitativas gera. por acumulação e por saltos, mutações de ordem qualitativa: d) como a sede das contradições internas. seus fenômenos tendo um lado positivo e o outro negativo. um passado e um futuro. o que provoca a luta das tendências contrárias que gera o progresso (Marx-Engels).

Dicionário - Se a etimologia da palavra dicionário (do Latim Dictionariu) a remete a um conjunto dos vocábulos dos termos próprios de uma ciência ou arte, dispostos por ordem alfabética e com a respectiva significação ou a sua versão noutra língua. Então no nosso caso, aqui, a usaremos como num léxico (do Grego Léxicon), isto é, como um dicionário de línguas clássicas antigas, abreviado num conjunto dos vocábulos, usados no domínio especializado da filosofia.

Emoções - Em geral entende-se por qualquer estado, movimento ou condição que provoque no homem a percepção do valor que determinada situação tem para a sua vida, suas necessidades, seus interesses. Na Ética a Nicômaco, Aristóteles diz que emoções é toda afeição da alma, acompanhada pelo prazer ou pela dor - sendo o prazer e a dor a percepção do valor que o fato ou a situação que se refere a afeição tem para a vida. No Esboço de uma teoria das emoções (1930), Sartre vê uma conduta dotada de sentido por meio da qual o indivíduo se esforça por se adaptar ao mundo mudando-o ou negando-o de forma mágica. Na Filosofia clínica, Lúcio Packter afirma que as emoções traduzem as composições subjetivas de dados sensoriais e abstratos que resultam em estados afetivos que tem origem em dados somente sensoriais, ou melhor, em movimento que a pessoa vivencia como um estado afetivo qualquer: prazer, dor, alegria, tristeza, amor, ódio, bem-estar, esperança, desejo, saudade, carinho.

Epistemologia - Epistemologia, gnosiologia ou teoria do conhecimento é a parte da filosofia cujo objeto é o estudo reflexivo e crítico da origem, natureza, limites e validade do conhecimento humano. A reflexão epistemológica incide, pois, sobre duas áreas principais: a natureza ou essência do conhecimento e a questão de suas possibilidades ou seu valor.
Estrutura de pensamento - É o modo como a pessoa está existencialmente no ambiente. A estrutura de pensamento se dá mediante a relação de trinta Tópicos que por interseção estabelecem as condições modais de existência da pessoa. A Estrutura de Pensamento se caracteriza pela sua mobilidade, plasticidade, pois ela muda de pessoa para pessoa, ela muda de época para época, ela muda na própria pessoa durante a vida. Ela procura entender a experiência humana enquanto existência.
Fenomenologia - Estudo dos fenômenos em si mesmos, independentemente dos condicionamentos exteriores a eles, cuja finalidade é apreender sua essência, estrutura de sua significação. É também um método de redução, pelo qual o conhecimento factual e as suposições racionais sobre os fenômenos como objeto, e a experiência do eu, são postas de lado, para que a intuição pura da essência do fenômeno possa ser rigorosamente analisada. É o estudo dos fenômenos, distinto do estudo do ser, ou ontologia.
Physis  segundo os filósofos pré-socráticos, é a matéria que é fundamental eterno de todas as coisas e confere unidade e permanência ao Universo, o qual, na sua aparência é múltiplo, mutável e transitório.
A palavra grega Physis pode ser traduzida por natureza, mas seu significado é mais amplo. Refere-se também à realidade, não aquela pronta e acabada, mas a que se encontra em movimento e transformação, a que nasce e se desenvolve, o fundo eterno, perene, imortal e imperecível de onde tudo brota e para onde tudo retorna. Nesse sentido, a palavra significa gênese, origem, manifestação. Saber o que é Physis, assim, levanta a questão da origem de todas as coisas, a sua essência, que constituem a realidade, que se manifesta no Movimento. Nas palavras do professor Miguel Spinelli: "tudo o que nasce está destinado a ser o que deve ser e não outra coisa. Esse nascer destinado, pelo qual o que nasce se submete a um processo de realização, é a phýsis, e, como tal, a archê. (...) tanto a phýsis quanto a archê não são expressões do anárquico (...), tampouco do ocasional... O que esses termos conjuntamente designam é o que ocorre sempre ou de ordinário (...), mas com uma eficácia tal que "dispara" sempre (como se fosse um gatilho biológico) o que é melhor dentre todo o possível" (SPINELLI, Miguel. Questões Fundamentais da Filosofia Grega. São Paulo: Loyola, 2006, pp.36-37). A phýsis expressa um princípio de movimento relativo ao fazer-se das coisas nas quais mudam as aparências, enquanto que cada (ser ou) coisa permanece sempre sendo ela mesma.
Esse movimento seria a contínua transformação dos seres, mudando de qualidade (por exemplo, o novo envelhece; o quente esfria; o frio esquenta; o seco fica úmido; o úmido seca; o dia se torna noite; a noite se torna dia; a primavera cede lugar ao verão, que cede lugar ao outono, que cede lugar ao inverno; a árvore vem da semente e produz sementes, etc.) e mudando de quantidade (o pequeno cresce e fica grande; o grande diminui e fica pequeno; um rio aumenta de volume na cheia e diminui na seca, etc). Portanto o mundo (Physis) está em mudança contínua, sem por isso perder sua forma, sua ordem e sua estabilidade.
Os filósofos pré-socráticos tinham como principal preocupação a explicação dos aspectos referentes a cosmologia. Tiveram um papel importante, na medida em que marcam toda uma fase de pensamento voltada para a explicação racional dos fenômenos que constituíam as inquietações dos homens daquela época.

Filosofia Clínica - É um exercício filosófico nas questões existenciais, original, criado por Packter, para trabalhar os choques mais graves e violentos que ocorrem na Estrutura de Pensamento da pessoa. A Filosofia Clínica deve ser considerada como uma ação fenomenológica e humanista, um procedimento clínico, uma atitude filosófica clínica realizada por filósofos. É assim definida por Packter: a) O uso do conhecimento filosófico à psicoterapia; b) Atividade filosófica aplicada à terapia do indivíduo; c) As teorias filosóficas empregadas às possibilidades do ser humano enquanto se realiza por si mesmo (Caderno A). A descoberta packteriana pressupõe a existência de uma Estrutura de Pensamento, que nos determina o modo como à pessoa está existencialmente no ambiente. O local de atendimento vai além dos consultórios. Muitos lugares estão sujeitos a serem bons espaços de trabalho. Há casos que desaconselham limitar o trabalho filosófico clínico a um consultório. Procura-se confortar o partilhante no intuito de viabilizar o diálogo e a própria clínica. A psicoterapia praticada pela filosofia não contém tipologia; não usa termos como normal versus patológico; não utiliza drogas medicamentosas alopáticas; não usa procedimentos clínicos a priori. A Filosofia Clínica é construída a começar da pessoa. A Filosofia Clínica é toda ela construída sob bases filosóficas, desde as raízes. Tendo seu aprofundamento em Hume e Locke, Russell, Wittgenstein e Merleau-Ponty, George Berkeley, Peirce, William James, John 15 de Dezembro de Dewey e George Mead. Também os trabalhos de Edmund Husserl em fenomenologia; o existencialismo de Martin Buber e de Gabriel Marcel. as obras de G. E. Moore John Wisdom, Gilbert Ryle e John Austin. Também Saussure, Deleuze, Derrida e Foucault... Os métodos da Filosofia clínica consta de: historicidade, fenomenologia e epistemologia. A clínica se dá via Exames categorias (Assunto, Circunstância, Lugar, Tempo e Relação), Estrutura de Pensamento e em seguida, Submodo.

Idéias abstratas - Berkeley considera que a abstração nos leva a conceber coisas que não existem em lugar algum, por isso nega a sua existência, ou seja, para ele não há idéias abstratas, somente idéias concretas. David Hume diz, no Tratado da Natureza Humana, que as idéias são imagens apagadas das impressões em nossos pensamentos e em nossos raciocínios. Para John Locke um conceito, é uma idéia abstrata e, por ser humana, é a principal diferença entre animais e homens. Ele designa idéia, tudo o que é objeto do intelecto enquanto pensamento - imagem, noção, conceito mental. Se para Locke abstração é o processo através do qual o humano adquire os conceitos, então, nesse caso, podemos considerar conceito como uma idéia abstrata, como uma idéia que representa um aspecto da realidade isolada pelo espírito.

Idéias Complexas - Na Filosofia Clínica as Idéias Complexas, seguem a indicação de Hume e Locke e, refere-se a imagens mentais que se seguem a alguma vivência relacionada aos sentidos que sejam simultâneos ao derivar das idéias antecedentes, de modo adaptado à singularidade da pessoa. Novas idéias, subseqüentes e conseqüentes, darão uma diretriz de resolução à pessoa em direção às sensações, o que significa levar a pessoa da abstração para o sensorial e fazê-la viver momentos no limite sensorial a fim de conduzi-la a vivências que tinha somente enquanto usava conceitos ou termos que podiam ser usados como um modo íntimo de ser no mundo, e assim se ter maior objetividade, minúcia, entendimento, simplicidade.

Infinito - A noção de infinito não provém da experiência humana, que é necessariamente limitada, e só pode ser enunciada pelo raciocínio abstrato. A isso se deve a dificuldade de definir, entender e empregar esse conceito. Define-se infinito, de modo geral, como aquilo que não tem começo, fim ou limites. Conforme se trate de filosofia, ciências ou religião, no entanto, entende-se infinito de diferentes formas.

Linguagem - A linguagem - traço que melhor define a espécie humana - é um conjunto de sistemas, ligados um aos outros, cujos elementos não têm nenhum valor independente das relações de equivalência e de oposição que os unem; é, no sentido mais corrente, um instrumento de comunicação, um sistema de signos vocais específicos aos membros de uma mesma comunidade; é a capacidade específica, da espécie humana, de se comunicar por meio de um sistema de signos vocais, ou língua, que coloca em jogo uma técnica corporal complexa e supõe a existência de uma função simbólica, e de centros nervosos, geneticamente especializados. No convívio social o homem se apropria desse instrumento que se lhe oferece já elaborado para utilização coletiva do que chama de língua. Consiste em desenhar sinais correspondentes a idéias ou a que se figura por certo signo, independente do vocábulo que se possa ouvir para cada idéia, porém a linguagem não é um sistema só de símbolos, mas também de estímulos, que acordam imagens adormecidas e associadas. A filosofia - ramo ainda pouco desenvolvido da lingüística - estuda, por um lado, o papel da língua em relação ao entendimento e à elucidação dos conceitos filosóficos e, por outro, a condição filosófica das teorias, das observações e dos métodos lingüísticos; caracterizada pela aplicabilidade universal da teoria ou método lingüístico no estudo das línguas, onde engloba os conceitos teóricos, descritivos e comparativos. Os universais da linguagem equivalem aos traços gerais da linguagem, e que fornecem uma teoria acerca da faculdade humana da linguagem, ou seja, das propriedades biologicamente necessárias da língua. Assim a expressão, da faculdade comunicativa, que permite a ligação entre indivíduos por meio de signos convencionais, falados ou escritos chama-se linguagem e o instrumento dessa utilização coletiva chama-se língua. Para Ferdinand de Saussure (1857-1913), língua é um sistema de relações e um instrumento sem o qual seria dificultada a vida em sociedade ou qualquer forma de comunicação que se estabeleça o uso de palavras, sons ou imagens em suas representações. O estudo científico da língua se dá através da lingüística e seu estudioso ou pesquisador é denominado lingüista. Na clínica é usada para aplicação de teorias, métodos e descobertas lingüísticas na análise das condições médicas e dos ambientes relacionados a disfunções da linguagem. De forma pedagógica é usada ocasionalmente para a aplicação de descobertas descritivas, teoria e métodos lingüísticos ao estudo do ensino ou aprendizado da língua-materna em escolas ou outros ambientes de ensino formal. A computação é um ramo da Lingüística quando as técnicas e os conceitos da informática são aplicados na elucidação de problemas fonéticos e lingüísticos nas aplicações matemáticas cuja lingüística, também estuda as propriedades matemáticas da língua, geralmente emprega conceitos estatísticos ou algébricos. Portanto há um gesto para cada idéia que se deseje transmitir ou tornar conhecidos os valores dessa série de sinais; ficando assim esclarecido o pensamento ou frase que se buscar exprimir.

Metafísica - Metafísica ou filosofia primeira constitui a parte mais importante de toda doutrina filosófica, já que investiga os princípios e causas últimas da realidade, a essência do ser ou "o ser como ser". Seu estudo deve partir de uma análise formal e abstrata da realidade e se denomina ontologia ou metafísica geral. No pensamento moderno, tende a dar o nome de metafísica a toda filosofia especulativa que se ocupe de princípios não-perceptíveis diretamente de modo empírico, como "alma", "essência" ou "absoluto", ou que elabore concepções do mundo não suscetíveis de demonstração científica. Assim, na oposição clássica entre idealismo e materialismo, as escolas contemporâneas de tradição empirista -- positivismo, filosofia analítica -- tenderam a negar a validade da metafísica como ciência, enquanto correntes como o irracionalismo, o existencialismo e o intuicionismo, embora discordem dos critérios dogmáticos da metafísica tradicional, admitem o caráter de certo modo metafísico de todo empreendimento filosófico.

Paidéia - Ideal educativo que compreendia, na Grécia antiga, não só os conhecimentos, mas também as artes e a formação do caráter. Em Roma, identificou-se com o conceito de humanitas.

Paradigma - É um esquema ou modelo mental que se toma como referência e sobre o qual se constrói um processo intelectual. Em filosofia da ciência é o princípio básico que sustenta uma teoria geral e cuja alteração acarreta a mudança de toda a teoria.

Paradoxo - É o termo que designa, em filosofia, a declaração que expressa uma aparente contradição e cujo significado mais profundo só é revelado depois de cuidadosa investigação. Seu objetivo é despertar a atenção e provocar novas idéias, como no caso de Zenão de Eléia, cujo qual, com um Argumento lógico, pretendeu demonstrar, no século V a.C., a impossibilidade do movimento, qual considerava uma ilusão dos sentidos.

Plasmar sintético - A Significa moldar em síntese, em resumo. É um modo plástico de reorganizar os objetos do intelecto. Segundo Wittgenstein a linguagem é um labirinto de caminhos, logo a comunicação tem em si mesma um significado próprio (Merleau-Ponty), ela pode criá-lo; e uma tradução de outro significado que ela está representada. É o caráter da ampla interseção que permite a comunicação. Trata-se de um procedimento prático que permite garimpar verbos mentais, reagrupá-los e construir oportunidades de novas condições de vida.

Retórica - (gr. retoriké: arte da oratória, de re-tor: orador) Arte de utilizar a linguagem em um discurso persuasivo, por meio do qual visa-se convencer uma audiência da verdade de algo. Técnica argumentativa, baseada não na lógica, nem no conhecimento, mas na habilidade em empregar a linguagem e impressionar favoravelmente os ouvintes. Considera-se que a retórica foi sistematizada e desenvolvida pelos * sofistas, que a utilizavam em seu método. Aristóteles dedicou um tratado à retórica, sobretudo distinguindo-a do uso lógico da linguagem sistematizado na teoria do silogismo. Contemporanemante, Chaim Perelman procurou revalorizar a retórica, buscando construir uma teoria que sistematizasse os traços fundamentais do uso retórico da linguagem, mostrando que mesmo o discurso científico não estava isento de elementos retóricos e de recursos persuasivos.

Russell, Bertrand - Bertrand Russell - Matemático, lógico e filósofo inglês - enfatizou o caráter libertador da lógica e defendeu pontos de vista neopositivistas e behavioristas. A filosofia russelliana apresenta alguns aspectos determinantes da linguagem, considera as definições de conhecimento e de verdade, envolvendo a relação entre verdade e experiência. Dedicou-se a três grandes áreas de estudo, com a premissa subjacente de que a visão científica do mundo é certamente a visão correta: a teoria do conhecimento, as relações entre lógica e matemática e, finalmente, entre lógica e linguagem. Pertinentes a esse último tema são a filosofia do atomismo lógico - influenciada pelas idéias de seu aluno Ludwig Wittgenstein, de quem mais tarde discordaria - e a chamada teoria das descrições. Em seus Princípios de Matemática, Russell diz que todas as palavras têm significado na acepção de que são símbolos representativos de outra coisa que não eles mesmos: as entidades indicadas pelas palavras. Lógico, filósofo e ativo militante político, Bertrand Russell acreditava que a filosofia deve preparar o terreno para uma ciência pragmática que permitirá ao homem dedicar-se ao aperfeiçoamento do mundo em que vive. Russell chama de dados sensórios o que se aproxima de simples idéias do sentido e se refere diretamente o que está relacionado aos sentidos e aos dados proprioceptivos: percepções e impressões que constituem a experiência. A obra filosófica mais lida de Bertrand Russell é a History of Western Philosophy (1945; História da filosofia ocidental).

Saber - Erudição, sabedoria, experiência da vida, do mundo. Aquilo que se sabe. Só se diz propriamente neste sentido se os conhecimentos em questão forem suficientemente numerosos, sistematizados e elaborados por um trabalho contínuo do espírito. Filosoficamente é a certeza de estar convencido e poder se explicar em toda a sua plenitude uma verdade de ordem diversa daquelas que se atingem por meio da razão. Estado de espírito que conhece; relação do sujeito que pensa com um conteúdo objetivo do pensamento, formulado numa proposição, de que admite a verdade por razões intelectuais e comunicáveis. A Filosofia Clínica usa três campos filosóficos como maneira de Construção do Saber: lógica Formal adaptada à clínica, Esteticidade associada a Somaticidade e Matemática Simbólica. No sentido bem amplo do termo, podemos considerar o estudo metódico e reflexivo do saber, de sua organização, de sua formação, de seu desenvolvimento, de seu funcionamento e de seus produtos intelectuais. Estudo da natureza e dos fundamentos do saber, particularmente de sua validade, de seus limites, de suas condições de produção. Quanto maior a importância do saber, maior a necessidade de dotar o homem de sólidos fundamentos teóricos e critérios de verdade para entendimento daquilo que se deve fazer como habilidade para conseguir os seus fins e ter conhecimentos especiais para compreender os sistemas que necessitamos para a estruturação do pensamento no mundo vivido. Processo de busca, do vivido, em sua forma verdadeira com o propósito de compreender a realidade das coisas assim como existem, não só os conhecimentos, também as artes, a formação do caráter de forma natural e genuinamente humana. Ethos (hábitos) que o faz ser digno e bom tanto como governado quanto como governante. Seu objetivo não é ensinar ofícios, mas sim treinar a liberdade do pensar como o legado deixado de uma geração para outra na sociedade.

Sentimentos - São estados afetivos, ou tendência afetiva geral, por oposição ao conhecimento. Variantes das emoções, das paixões, dos prazeres. Mais especificamente, prazeres, dores, emoções que tem causas morais, e não causas orgânicas imediatas. Estados de alma, ditos também estados psíquicos, decorrentes do sentir. Spinoza fala dos sentimentos passivos como a passagem das paixões às ações, aos atos. Conjunto de emoções e de inclinações altruístas e simpáticas, por oposição ao egoísmo, mas também a idéia de conhecimento intuitivo e imediato, por oposição ao raciocínio. Segundo o existencialismo, o único meio que possuímos para entrar em contato com a existência concreta e vivida, consiste no sentimento ou emoção. Assim é que dos conhecimentos sensíveis se fazem seguir prontamente estados de emotivos, e que podem ser os mais diversos, de satisfação uns, insatisfação outros. Importa não confundir, pois, a sensação com os sentimentos e as emoções decorrentes. Primeiro acontece o conhecimento, com objeto. Depois decorrem os estados conseqüentes, sem novo objeto. Podemos notar, através da critica de Lalande, em seu vocabulário técnico e critico, que o sentido da palavra sentimento se divide em dois grupos. Num grupo está a idéia essencial de estado afetivo e, no outro grupo a idéia de conhecimento imediato; a acepção de opinião, parecer, crença apesar de estar diretamente ligada a um sentido clássico sentire, sententia, tomou, segundo ele, por uma espécie de contágio, alguma coisa dessa conotação.

Sistema - Conjunto de princípios organizados de modo a formar um todo científico ou um corpo de doutrina.

Sofisma - Termo que designa, em filosofia, o argumento que, a partir de premissas verdadeiras, ou assim consideradas, chega a conclusões inadmissíveis, que não pode enganar a ninguém, mas que parece conforme as regras formais do raciocínio e que não se sabe como refutar.

Solipsismo - Doutrina filosófica que afirma ser o eu individual a única realidade e que apresenta pessoas e objetos como representações da subjetividade.

Teorema - Enunciado de uma proposição ou uma propriedade que pode ser demonstrada por um raciocínio lógico a partir de fatos dados ou hipóteses justificáveis incluídos neste enunciado.

Teoria - Sistema ou doutrina que trata dos princípios básicos de uma ciência ou arte.

Termo - É tudo o que se encontra expresso: som, frase, dados escritos, atos mecânicos, como dançar, etc.

Tese - Termo que designa, em filosofia, o princípio imediato do silogismo que serve de base para qualquer demonstração. Na dialética hegeliana, é a afirmação de um conceito que, negado pela antítese, dá origem à síntese.

Universais - Designação genérica que discute, em filosofia, a origem e a natureza das idéias. Sobre a questão firmaram-se três posições fundamentais: nominalismo, realismo e conceitualismo. Motivo de controvérsia e reflexão escolástica.

Valor - Axiologia, ou teoria do valor é a abordagem filosófica do valor em sentido amplo. Sua importância reside principalmente no novo e mais extenso significado que atribuiu ao termo valor e na unidade que trouxe ao estudo de questões econômicas, éticas, estéticas e lógicas que eram tradicionalmente consideradas em separado.

Verdade - Na Filosofia Clínica, há dois tipos de verdade: subjetiva e consensual. A verdade subjetiva é aquela que habita a pessoa que está de acordo com a sua singularidade, sua Estrutura de Pensamento. Quanto à verdade consensual, é aquela estabelecida em conjunto pelas pessoas.

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