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A verdadeira sabedoria é saber o quão pouco nós realmente sabemos.

Sócrates

31/03/2010

O Espaço da Política nas Teorias de Marx e Foucault


1 INTRODUÇÃO

No texto ora apresentado, tentaremos fazer uma breve reflexão sobre os conceitos de poder, nas teorias de Karl Marx e Foucault, destacando de forma concisa o poder e a política na modernidade, a partir da delimitação do poder em ambas as teorias, teorizando sobre o próprio conceito de política na modernidade.

2 DESENVOLVIMENTO

Ao debruçamos no texto, vemos que Foucault deixou de considerar a história de uma ciência como o desenvolvimento linear e continuo, e sim como uma espécie de rede, onde informações de origens e naturezas variadas estão conectadas e interagindo entre si, não havendo um término determinado. Para ele, a análise percorre todo o campo do saber que, por si só, é infinito. A esta espécie de “arqueólogo do saber” chamou “genealogia do poder”. Há uma ruptura entre moderno e o clássico, onde antes havia conceitos gerias e abstratos, partindo para algo concreto e específico.

Mais do que a teoria do poder, Foucault propõe regras ou cautelas metodológicas. Diferentemente das concepções correntes, Foucault pretende explicar o poder sem o rei como sua fonte, mostrando sua dependência na noção de um soberano, defini-se poder em Foucault como uma relação assimétrica que institui a autoridade e a obediência, e não como um objeto preexistente em um soberano, que usa para dominar seus súditos.

Foucault trata principalmente do temo do poder, rompendo com as concepções clássicas deste termo. Para ele, o poder não pode ser localizado em uma instituição ou no Estado, o que ternária impossível a “tomada de poder” proposta pelos marxistas. O poder não é considerado como algo que o individuo cede a um soberano (concepção contratual jurídico-político), mas como uma relação de forças. Ao ser relação, o poder esta em todas as partes, uma pessoa esta atravessada por relações de poder, não pode ser considerada independente delas. Para Foucault, o pode não somente reprime, mas também produz efeitos de verdade e saber, constituindo verdades, práticas e subjetivas.

Para analisar o poder, Foucault estuda o poder disciplinar e o biopoder, e os dispositivos da loucura. Para isto, em lugar de uma analise histórica, realiza uma genealogia, um estudo histórico que não busca uma origem única e casual, mas se baseia no estudo das multiplicidades e das lutas.
As críticas e analises feitas por Foucault são pertinentes principalmente em relação ao significado de categorias de análise como soberania; mecanismo de poder; efeitos de verdade, regras de poder; etc., categorias essas de fundamental importância para a analise e compreensão do funcionamento do Estado e dos problemas cotidianos do homem comum.

O marxismo compreende o homem como um ser social histórico e que possui a capacidade de trabalhar e desenvolver a produtividade do trabalho, o que diferencia os homens dos outros animais e possibilita o progresso de sua emancipação da escassez da natureza, o que proporciona o desenvolvimento das potencialidades humanas. A luta comunista se resume à emancipação do proletariado por meio da liberação da classe operária, para que os trabalhadores da cidade e do campo, em aliança política, rompam na raiz a propriedade privada burguesa, transformando a base produtiva no sentido da socialização dos meios de produção, para a realização do trabalho livremente associado, abolindo as classes sociais existentes e orientando a produção sob o controle social dos próprios produtores de acordo com os interesses humanos.

O marxismo influenciou os mais diversos setores da atividade humana ao longo do século XX, desde a política e a pratica sindical até a analise e interpretação de fatos sociais, morais, artísticos, históricos e econômicos. O marxismo foi utilizado desvirtuadamente como base para as doutrinas oficiais utilizadas nos paises socialistas, nas sociedades pós-revolucionária.

Contrastando com Foucault, que admite ter o poder ser lado positivo, produtivo, não acredita como Marx, que o poder vem destinado a supliciar os homens ainda que relativo à uma classe social, seu real objetivo esta em adestrar, aprimorar o corpo humano. Em relação à modernidade, teoriza que o seu objetivo econômico e político é o aumento: dar aos homens um aproveitamento econômico e diminuindo a política. Marx relata exatamente o contrario: a aumentar a força política operaria é necessário e, com isso, vem o achatamento da burguesia, como uma conseqüência da história natural do capitalismo. Ele quer destruir as idéias dominantes, porque elas pertencem à elite. O proletariado, como povo apátrida, conseguiria o advento de ser a classe dominante e, enfim, a conquista da democracia, mesmo rompendo com idéias tradicionais como um todo, fundamentalmente relacionando-se ao direito de propriedade.

“... ao longo de sua obra, Marx, nos dá além de uma analítica do capital-capitalismo e seu respectivo modo de vida, uma chave para a compreensão de sua manutenção. Explorando, dentre outros elementos, o fascínio que o homem passa a ter nesse sistema pela mercadoria (a ponto de retificar tudo à sua volta, inclusive a si mesmo), e demonstrando que as idéias criadas no interior do sistema capitalista falseiam a realidade concreta e promovem uma alienação do individuo em vários níveis do seu meio social, Marx evidencia alguns elementos que justificam a permanência do sitema capitalista de produção na cidade como estrutura econômica nos últimos séculos...” (Suzi Piza).

Enquanto empreende sua analise e critica do sistema capitalista, deixa cada vez mais claro o que esse modo moderno de produção e reprodução da vida material que tem como lógica intrínseca a necessária marginalização da maioria dos indivíduos que vivem submetidos a ele, excluindo-os de sues principais benefícios

Marx olha a modernidade, e examina o poder de uma classe dominante sobre os demais, estuda o marco-poder, o grande poder, o poder de uma classe economicamente forte que se utiliza de grandes meios políticos, como o Estado, para exercer o seu poder sobre a sociedade como um todo.

Foucault, cerca de um século depois, responde de alguma maneira a mesma questão, em pequenas respostas, o poder de investigar para compreender a modernidade é o micro-poder. A resposta de Foucault é simples: corpos dóceis. Só corpos fabricados para esse sistema, criados para esse modo de vida, constitui, sustenta e faz permanecer esse modo de vida, com isso nos põe diante dos olhos os micro-procedimentos físicos, matérias, empíricos e principalmente cotidianos de adestramento do corpo para que ele se torne o corpo moderno adequado para a vida moderna.

Para Foucault é a docilidade é necessário para o novo habitat moderno, é conquistar através de mecanismos matérias simples e bem determinado, ela é o resultado óbvio de ima teoria do adestramento pratico no homem moderno.

No entanto podemos ver que Foucault dedica um capítulo de sua obra para a produção dos mencionados corpos dóceis necessários à construção de uma sociedade disciplinar calcada nos princípios vigilantes e puníveis, pois todos aqueles que presenciavam uma punição, ficavam alerta, com isso, se tinha o alcance de um controle social.

3 CONCLUSÃO

Contudo podemos concluir que Marx crê que o saber é obstruído por modernidades de praticas sócias, sendo a religião como meio de alienação, Foucault crê que são justamente nossas práticas sociais enquanto instrumento de determinada modalidade de poder que engendram o sujeito e também todo um conjunto de formas de conhecimento e de obtenção da verdade.

REFERÊNCIAS
PIEPER, Frederico. Sobre o Conhecimento, a Lógica e a Ética – Leituras de Filosofia. Guia de Estudos. Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo: Ed. do Autor, 2009.

Wikipédia, Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia_pol%C3%ADtica. Acesso em: 21 de out. 2009.

____ http://www.scielo.br/pdf/ln/n70/a04n70.pdf. Acesso em: 21 out. 2009.

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