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A verdadeira sabedoria é saber o quão pouco nós realmente sabemos.

Sócrates

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04/04/2010

O Medo do Desconhecido


INTRODUÇÃO

Falar de medo é algo imprescindível, pois todos de alguma forma são atingidos por ele, e sofrem problemas devido ao medo, ele esta por toda a parte e a cada instante, a angustia nos faz pressentir a ameaça de morte e de nulidade do mundo. Nos ensinamentos de Epicuro para alcançar a felicidade era necessário libertar-se do medo.
Neste texto tentaremos entender as causas do medo e as suas conseqüências, sendo que o medo é uma reação humana universal e que pode acarretar vários problemas na vida do ser humano.

APRESENTAÇÃO
Ao tentarmos entender o medo, podemos dizer que o medo é um sentimento que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente.
No entanto podemos destacar algumas reações que o medo provoca que são reações físicas como descargas de adrenalina, aceleração cardíaca e tremor, podendo provocar atenção exagerada a tudo que ocorre ao redor, como depressão e pânico.
O medo é uma reação humana universal, explicada biologicamente como sendo a proteção dada ao individuo em caso de perigo. É uma emoção que a pessoa experimenta quando colocado frente a uma ameaça a sua vida ou a seu corpo.
Contudo, o que se tem por objetivo neste trabalho é abordar o medo do desconhecido, o ser humano tem pavor do desconhecido. Aquilo que nunca experenciamos pode nos conduzir à morte. Por isso, desde muito cedo, o homem receou a natureza. Ela era toda inexplicável em épocas primitivas. Por temer sua imprevisibilidade tentamos até hoje domina-la. Depois sofisticamos o medo criando o misticismo – misticum provém da mesma raiz latina de misterium. Este sistema de criar um mundo que não poderia ser visto ou controlado por simples mortais dava um poder infinito àqueles que diziam que conseguiam manipula-lo. Devido à força que o misticismo possuía, ele acabou sendo institucionalizado em forma de religiões. Hoje, elas estão aí para provar o poder que o desconhecido pode exercer sobre nós.
“O medo é nosso rei e ninguém escapa ao seu domínio”
(Jean Marot).
Nos primórdios da humanidade todas as realidades, particularmente a natureza, eram muito mais inquietantes, desafiadoras, assustadoras e complexas para os primeiros homens: tudo era completamente desconhecido. Podemos dizer que nos primórdios o sentimento do ser humano em relação ao mundo era de medo.
Era, portanto, necessário, explicar o mundo para superar o medo. A complexidade do mundo circundante, ao longo de milhares de anos, possibilitou aos diferentes grupos humanos produzir diversas explicações mítico-religiosas. Podemos dizer que o medo foi cedendo lugar ao mito e à religião. Esse processo perdurou até o advento da filosofia. A Filosofia nasceu como indagação sobre a origem das coisas pela razão.
Com isso, a filosofia estóica propõe ao homem um viver de acordo com a lei racional da natureza a indiferença (apatehea) em relação a tudo que é externo ao ser, acreditando desta forma, que a razão é o meio que o homem torna-se livre e feliz.
Para Epicuro o medo da morte e dos deuses é algo que afasta o homem da felicidade, e para que o homem venha alcançar a felicidade é preciso se libertar desse medo. O epicurismo em sua filosofia propunha uma vida de continuo prazer como chave para sua felicidade, não se preocupando com o que é desconhecido.
É interessante ressaltar o sistema filosófico epicurista, pois o medo afasta a coragem de ser feliz, de ir de encontro ao aquecimento humanitário. Faz-nos perder a aparência agradável da expressão e depois que nossas estrelas perdem o brilho, sobra uma canção interminável de lamentos. Tudo obra do medo profundo. Que penetra no espírito e retira a paz que o libertaria por completo.
No mundo de hoje, o espírito defronta-se por todos os lados com avisos e ameaças que, com razão, exigem cautela. Quando se experimenta o medo, coloca-se em ação grande número de reações psicossomáticas, cujo único fim é auxiliar a pessoa a fugir do perigo ou combate-lo. Nas situações que nos intimidam ou ameaçam a oportunidade de alcançarmos à felicidade ou o sucesso, a sensação na boca do estomago, a umidade nas palmas das mãos, a palpitação do coração, em resumo, a sensação do medo pode bem acercar-se de todos nós.
O medo do desconhecido e a necessidade de dar sentido ao mundo que o cerca levaram o homem a fundar diversos sistemas de crenças, cerimônias e cultos, muitas vezes centrados na figura de um ente supremo, que o ajudam a compreender o significado último de sua própria natureza. Mitos, superstições ou ritos mágicos que as sociedades primitivas teceram em torno de uma existência sobrenatural, inatingível pela razão, equivaleram à crença num ser superior e ao desejo de comunhão com ele, nas primeiras formas de religião.
Religião (do latim religio, cognato de religare, "ligar", "apertar", "atar", com referência a laços que unam o homem à divindade) é como o conjunto de relações teóricas e práticas estabelecidas entre os homens e uma potência superior, à qual se rende culto, individual ou coletivo, por seu caráter divino e sagrado. Assim, religião constitui um corpo organizado de crenças que ultrapassam a realidade da ordem natural e que tem por objeto o sagrado ou sobrenatural, sobre o qual elabora sentimentos, pensamentos e ações.
Mas o que é o medo afinal de contas, um estado emocional, um mecanismo de origem natural do qual foram dotados todos os seres vivos, ou algo exclusivamente humano? Ter medo é uma condição essencialmente racional e emocional, pois só podemos temer aquilo que conscientemente seja capaz de nos fazer algum tipo de mal, algo conhecido. Sabemos o que sentimos quando a sensação de medo toma conta de nós, e é quase certo que também sabemos o porquê, pois não podemos imaginar um receio sem motivo. Uma coisa é certa, como não existe medo sem causa, à causa de qualquer medo é o próprio medo.
Podemos perceber isso no exato momento em que estamos sentindo algum tipo de medo. A causa nesse momento pouco importa, mas o que estamos sentindo importa e muito. Fazendo isso, vamos ver o medo em atividade, o que ele causa em nós, o que estamos sentindo diante de sua manifestação. Se de um lado temos a causa que faz o medo explodir de dentro de nós, observar o que estamos sentindo naquele momento parece ser mais sensato do que evitar a causa; aquilo que origina esse medo. Evitando a causa, afastamos o temor, o que nos impede de ver o que é o medo. Questionar por que sentimos medo de alguma coisa, só tem algum valor prático se primeiro examinamos que tipo de sensação é aquela que estamos sentindo.
Observar o que sentimos no exato momento do medo, é o mesmo que investigar a validade de sua causa, e não a origem, pois isso não ajuda em nada a superarmos nossos receios. Podemos deduzir que uma causa de medo é um trauma infantil qualquer, mas isso não resolve o problema. Apenas deixando o medo se manifestar a cada momento, sem rejeitá-lo ou afastar sua causa, pode nos ajudar a transcendê-lo de uma vês por todas.
Assim, como na natureza não existe o estado medo, ou alegria, ou ódio, ou qualquer outro, posso concluir que eu sou o responsável pela existência de todos estes estados. Se todos estados emocionais do homem demandam um motivo para existir, estes motivos foram criados pelo próprio homem. Realização pessoal ou coletiva são condições que não existem na natureza. A natureza não tem sentimentos, não sofre, não criou os motivos que angustiam e levam o homem ao medo e ao sofrimento.
Medo do desconhecido, como me livrar de algo que desconheço? Certamente que não há como. Preciso então ignorar o que há por trás do conceito insegurança, pois isso não importa, e sim o que sinto. Ciente do que sinto quando estou inseguro, poderei compreender o que é insegurança, saberei por que me afeta; saberei qual a sua causa, saberei o que fazer para enfrentar e transcender o problema.
Conclui-se, portanto, que o medo toma proporções gigantescas por uma distorção na nossa mente, quando enfrentado ele se reduz a uma simples ilusão facilmente quebrada. Nesse caso, a expectativa sempre supera a realidade. O difícil nesse processo é manter a decisão de vencê-lo, pois quando o enfrentamos vemos que a proporção gigantesca do medo na realidade é bem mais reduzida que imaginávamos, e com isso, caminharemos rumo a sucesso de nossas realizações pessoais e profissionais.
REFERÊNCIAS
BUZZI, Arcângelo R. Introdução ao Pensar - O Ser, o Conhecimento, a linguagem.Petrópolis, Editora Vozes, 20ª Ed. 1991.
PIRES, Frederico Pieper. O Guia de Estudos. Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo: Ed. do Autor, 2009.
NETTO, Samuel Pfromm. Psicologia da Adolescência. São Paulo - SP. Livraria Pioneira São Paulo, 3ª Ed. 1973.
CAPRIO, Frank S. Ajuda-te Pela Psiquiatria. Guia Prático para viver de maneira mais sábia e saudável. São Paulo, 11ª Ed. Ibrasa. 1966.
Disponível <> acesso em 28 set 2009.

Um comentário:

  1. Explendido,parabéns pela sua materia,você mim ajudou a coopreende um real segnificado do medo,sabemos que o medo é um sistema de defesa criada pelo ser humano que são entendidads a cada superação,por isso que crianças são '' inocentes'' já que todos seus sentimentos,e todas suas emoções é descoberta na infância do ser,por isso existe brigas de religões,já que ambas são contra ensinamento de um e de outro,assim percebemos que a religões limita os seres humanos de descobrirem novas maneiras de verem um mundo real.

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