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A verdadeira sabedoria é saber o quão pouco nós realmente sabemos.

Sócrates

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10/07/2010

Racionalismo e Empirismo como Teorias do Conhecimento na Modernidade


Ao debruçarmos neste texto, estaremos entrando em uma disciplina que visa apontar comparações entre as teorias explicativas do conhecimento, nos pensamentos de René Descartes (racionalismo) e David Hume (empirismo), tendo como objetivo uma maior compreensão das teorias ora em estudo.
O Filósofo francês René Descartes, considerado “Pai do Racionalismo”, empreendeu significativa revolução na epistemologia que, nada mais é que o conjunto de conhecimentos que têm por objeto o conhecimento científico, visando a explicar os seus condicionamentos, sistematizar suas relações, esclarecer os seus vínculos, e avaliar os seus resultados e aplicações. A Filosofia busca o “discurso universal”, abandona o reino da doxa (opinião) para chegar ao lógos (razão), pois o discurso racional é próprio da Filosofia.
Alguns conceitos são relevantes nesta nossa empreitada: o processo dedutivo, estudado por Aristóteles na Antigüidade, foi retomado por Descartes e pelo racionalistas do século XVII como a única fonte de conhecimento segura. O processo cognitivo dedutivo consiste em, partindo de premissas ou postulados iniciais, chegar a conclusões lógicas verdadeiras. Obviamente, para que a conclusão seja verdadeira, é obrigatório que as premissas sejam válidas.
Nos primórdios da revolução científica, a necessidade de formular um método geral de pensamento científico foi arduamente perseguida, pois era necessário explicar a natureza da inteligência e da criatividade. Estamos nos referindo a ambiciosa empreitada de especificar com exatidão as etapas necessárias para se chegar a um método cognitivo correto.
Descartes debruçou-se sobre a questão de elaborar um “método científico” de pesquisa que garantisse a legitimidade dos resultados, pois Método refere-se a um conjunto de regras capazes de evitar erros e garantir a validade dos resultados. Erigir as bases da epistemé: eis a hercúlea tarefa de Descartes!
Dentre as principais obras de Descartes destacamos: “Meditações Metafísicas” e o “Discurso sobre o Método”, que visa a bem conduzir a própria razão e buscar a verdade das ciências. Os quatro preceitos do Método empreendido por Descartes são: 1º) Clareza e distinção (“nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse claramente como tal; ou seja, de evitar cuidadosamente a pressa e a prevenção, e de nada fazer constar de meus juízos que não se apresentasse tão clara e distintamente a meu espírito que eu não tivesse motivo algum para duvidar dele”; 2º) Análise (“repartir cada uma das dificuldades que eu analisasse em tantas parcelas quantas fossem possíveis e necessárias a fim de melhor solucioná-las”, chegando aos elementos mais simples); 3º) Ordem (“o de conduzir por ordem meus pensamentos, iniciando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para elevar-me, pouco a pouco, como galgando degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e presumindo até mesmo uma ordem entre os que não precedem naturalmente uns aos outros”. Defende a dedução como forma de ampliar o saber, do mais simples ao mais composto) e 4º) Enumeração (“efetuar em toda parte relações metódicas tão completas e revisões tão gerais nas quais eu tivesse a certeza de nada omitir”. Para que todos os elementos sejam considerados e para verificar se a visão total está de acordo como as regras que foram aplicadas).
Os pressupostos de Descartes revelam-se em sua célebre frase: cogito, ergo sum, penso (duvido), logo existo, sintetiza sua brilhante conclusão de que o pensamento é uma realidade em si mesmo, uma substância, distinta e diferente da matéria. Há duas substâncias finitas (res cogitas e res extensa) e uma finita (Deus). Substância (res) adquiriu um conceito fundamental no século XVII: de natureza simples, absoluta, concreta (realidade intelectual) e completa. Somos portanto uma substância (res) pensante (cogito) e também uma substância (res) que possui corpo, matéria (extensa).
Este dualismo cartesiano evidencia que cada indivíduo reconhece a própria existência enquanto sujeito pensante: nossa essência é a razão, o ser humano é racional. O cogito é a consciência de que sou capaz de produzir pensamentos, é um meio pragmático de dar início ao conhecimento. Estamos afirmando, portanto, uma verdade existencial. Há uma coincidência entre meu pensamento e minha existência. Existencial (cogito) é intelectual, para pensar é preciso Ser. A certeza da minha incerteza é infinitamente superior à certeza da matemática. As idéias matemáticas possuem referências necessárias a conteúdos (formas), já o cogito é capaz de fazer abstração de todo conteúdo.
O primeiro conceito de Descartes, portanto, denomina-se “dualismo cartesiano”, admitindo a existência de duas realidade: alma (res cogitans) e corpo (res extensa). A independência entre alma e corpo conduzirá a uma nova separação: sujeito e objeto. O segundo conceito de Descartes refere-se ao “idealismo”: o conhecimento é possível a partir das idéias: sujeito - idéia (representação mental na presença ou não do) - objeto.
Voltando ao método, a lição mais preciosa de Descartes é a de começar duvidando absolutamente de tudo, a não confiar nos sentidos e exemplifica como eles podem nos enganar.
Já o filósofo David Hume ganhou destaque por seu empirismo “total” que recorreu a um princípio de que se servirá largamente em todas as suas análises, o hábito ou costume, pois quando descobrimos uma certa semelhança entre idéias que por outros aspectos são diferentes, empregamos um único nome para indicar. Forma-se assim em nós o hábito de considerar unidas de alguma maneira entre si as idéias designadas por um único nome; assim o próprio nome suscitará em nós não uma só daquelas idéias, nem todas, mas o hábito que temos de considerá-las juntas e, por conseguinte, uma ou outra, segundo a ocasião.
Dessa maneira, ele é um empirista, no sentido que a percepção repetida e habitual de uma determinada impressão ou fato nos leva a elaborar idéias sobre os fenômenos naturais, através de generalizações indutivas.
As conclusões indutivas são percepções repetidas que nos chegam da experiência sensorial, saltamos para uma conclusão geral, da qual não temos experiência sensorial.
A certeza das proposições que se relacionam com fatos não é, portanto, fundada sobre o princípio de contradição. O contrário de um fato é sempre possível. “O sol não se levantará amanhã” é uma proposição não menos inteligível nem mais contraditória do que a outra “o sol levantar-se-á amanhã”. Por isso é impossível demonstrar a sua falsidade. Todos os raciocínios que se referem à realidade ou fatos fundam-se na relação de causa e efeito.
Ora, a tese fundamental de Hume é que a relação de causa e efeito nunca pode ser conhecida a priori, isto é, com o puro raciocínio, mas por experiência. (ler texto Investigação sobre o entendimento Humano, p. 140 conceito experiência – Hume).
Porém, a experiência não nos ensina mais que sobre os fatos que experimentamos no passado e nada nos diz acerca dos fatos futuros. E dado que, mesmo depois de feita a experiência, a conexão entre a causa e o efeito permanece arbitrária, esta conexão não poderia ser tomada como fundamento em nenhuma previsão, em nenhum raciocínio para o futuro. Pois, o curso da natureza pode mudar, os laços causais que nos testemunhou podem não ser verificados no futuro. Desse modo, a experiência diz respeito sempre ao passado, nunca ao futuro.

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